Trabalhadores filiados à Federação dos Trabalhadores Rurais do Espírito Santo (Fetaes) e os padres da Região VI divulgaram nesta quarta-feira (14) notas de apoio e solidariedade ao padre Romário Hastenreitter, do município de Boa Esperança, processado pelo senador Magno Malta (PR) por crime de injúria, calúnia e difamação.
Padre Romário terá que comparecer à audiência no Fórum de Boa Esperança, a 280 quilômetros de Vitória, no dia 20 deste mês, para prestar esclarecimentos sobre os termos usados na homilia de uma missa, na qual ele condenou os três senadores capixabas por terem votado favoravelmente à reforma Trabalhista, em 2017.
Na nota, os padres afirmam que a denúncia do padre é profética: “Nos solidarizamos com tal situação de perseguição dos direitos de expressão e defesa dos mais pobres”. E mais à frente: “Em tal situação almejamos que se tenham caminhos claros em favor da verdade. Unimos nossas forças e orações em favor do bem”.
Assinam o manifesto os párocos da diocese de  Cachoeiro de Itapemirim e  das cidades de Jerônimo Monteiro, Alegre, Celina, Divino São Lourenço, Ibitirama, Guaçuí, Dores do Rio Preto.
A Fetaes, em sua nota, diz que presta apoio e solidariedade ao padre Romário pelo processo “indecoroso movido pelo espúrio senador Magno Malta, que constantemente atua nos podres porões da política brasileira, onde se encontram os verdadeiros traidores do povo”.
Causou estranheza o posicionamento do senador, diz a nota, diante da verdade do padre, que se posicionou a serviço do povo, esclarecendo sobre as perdas de direitos promovidas pelas reformas Trabalhista e da Previdência e o desmonte do Estado brasileiro, afirma a mensagem dos trabalhadores.
“Com a PEC 55, que congela os investimentos em saúde e educação, estamos num estado de exceção em que a crítica e a verdade incomodam os ratos dos poderes”, denunciam os trabalhadores rurais.
Eles se solidarizam com o padre e com a “luta de todos os que se têm colocado ao lado do povo, que têm cumprido com o papel de esclarecer a população sobre a perda de direitos promovida por deputados e senadores que deveriam estar ao lado do povo e não ao lado do capital”.
Ao final, a nota conclama todos os sindicatos a comparecerem à audiência do próximo dia 20 e conclui: “A resistência do padre Romário é a nossa resistência”.
“Não vou me calar”, disse o padre Romário Hastenreitter a Século Diário, ao ser intimado a prestar depoimento no próximo dia 20, no Fórum da cidade, no processo movido contra ele pelo senador Magno Malta.
O padre criticou a atuação dos três senadores capixaba – além de Magno, Ricardo Ferraço (PSDB) e a senadora Rose de Freitas (MDB) -, durante  homilia lida na igreja, quando foi votada a reforma Trabalhista que “causa prejuízos aos trabalhadores, da mesma forma que a reforma da Previdência, que, felizmente, não foi adiante”.
Apesar de a crítica ser aos três senadores, somente Magno Malta resolveu processar o padre, a partir da movimentação do presidente da Câmara de Vereadores, Marcus Pereira dos Santos (PSDB), e do assessor jurídico Samuel Verly, do partido do senador, que gravaram um dos seus pronunciamentos.

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