O escritor e jornalista Athylla Borborema pode se dar ao luxo de enumerar algumas conquistas importantes em 2017, mas vou destacar apenas três: a participação na Bienal do Livro do Rio com “Melhores Poemas”, a defesa pública da tese de doutorado na PUC-Rio e o lançamento da obra “Imbassuaba”.

A participação dele na XVIII Bienal Internacional do Livro do Rio, no início de setembro, se deu em virtude da publicação de “Melhores Poemas de Athylla Borborema Cardoso”, pela Editora PerSe, que tive o prazer de organizar e apresentar. A obra constitui um testemunho da evolução poética do autor que ocupa a vice-presidência da Academia Teixeirense de Letras (ATL).

A defesa pública da tese de doutorado em jornalismo científico aconteceu recentemente, na PUC-Rio, e atraiu uma legião de amigos, fãs e admiradores. Afinal de contas, não é todo dia que um jornalista do interior da Bahia vira objeto das atenções na Cidade Maravilhosa por causa de um trabalho acadêmico com temática inédita.

Por último, ele surpreendeu a todos nós com “Imbassuaba”, um livro-reportagem em que apresenta parte das conclusões a que chegou sobre os eventos que marcaram o descobrimento do Brasil aqui na região e, também, discorre com riqueza de detalhes sobre a história de sua família, especialmente o ramo materno representado pelo casal Lúcio Guedes da Silva e Madalena Nunes Borborema.

Segundo Athylla Borborema, os vestígios da família Guedes na foz do Rio Cahy, no município de Prado, remetem ao século XVII e tem como protagonista Manuel Guedes da Silva, militar que trocou Portugal pela colônia tupiniquim no ano da graça de 1612. Na Costa do Descobrimento, ele se casou com a índia Leogunda Soares, com quem teve cinco filhos, quais sejam, Soeiro, Soeri, Elvira, Judite e Guida Guedes.

Manuel Guedes morreu aos 54 anos ofendido de cobra, já Leogunda Soares partiu aos 40 anos de causas naturais, deixando pelo menos 16 netos. Essa descendência, fruto da mistura do sangue luso-brasileiro, faria história na região banhada pelo Rio Imbassuaba, no município de Prado, e inspiraria algumas incursões pela história do Brasil. Consta, por exemplo, que o jovem Mendo Guedes de Gundar – bisneto do casal Manuel/Leogunda – teria morrido durante a Revolta de Felipe dos Santos, em Vila Rica, atual Ouro Preto, Minas Gerais, durante o chamado Ciclo do Ouro.

O encontro de Lúcio Guedes da Silva com Madalena Nunes Borborema, por sua vez, se daria somente no século XIX. Antes, porém, é preciso situar o desembarque do pai dela, Mariano Borborema – vindo da Aldeia da Borborema no Estado de Pernambuco –, em Santa Cruz Cabrália, extremo sul da Bahia. Vendedor de confecções e utensílios, ele tomou gosto pelo lugar, apaixonou-se pela nativa Rosalina e fixou moradia.

Ao se unir à índia Rosalina Nunes da Silva, o mascate Mariano Borborema deu início à formação da família Borborema nesta região. O casal teve cinco filhos, quais sejam, Júlio, Emília, Áurea e Madalena Nunes Borborema – que viria a ser a avó materna do autor Athylla Borborema. Em virtude de complicações no parto do 5º filho, Rosalina faleceu aos 30 anos de idade, em 1928.

Pois bem, o encontro de Lúcio Guedes da Silva, então com 17 anos, com sua futura esposa, Madalena Nunes Borborema, na flor dos 13 anos, constitui a razão de ser desta obra. A história de amor deles tem local e data certos: a festa de Nossa Senhora D’Ajuda, em Porto Seguro, no ano de 1933. Eles se casaram em 1935 e, assim, iniciaram a saga dos Guedes e Borboremas tanto na foz do Rio Cahy quanto na região de Imbassuaba.

Na Fazenda Airiz, na foz do Rio Cahy, o casal Lúcio/Madalena gerou os primeiros oito filhos: Manoel, Maria Guedes, Rosalina, Antônio, Valdomiro, Olivaldo, América e Maria Borborema da Silva, que viria a se casar com João Neves Cardoso – pais do jornalista Athylla Borborema. Na Fazenda Bom Sucesso, na região de Imbassuaba, o casal bandeirante teria uma prole de onze filhos.

Mas este livro, que sai pela Lura Editorial, também reconstitui o momento exato da chegada de Pedro Álvares Cabral e companhia – “ao cair da tarde de quarta-feira do dia 22 de abril de 1500” – à costa baiana. Descreve, inclusive, a origem de topônimos como “Cahy”, “Monte Pascoal”, “Carapeba”, “Mutari” e tantos outros.

O livro ainda promove o município de Prado, sua costa paradisíaca e rede hoteleira, com dados e números confiáveis acerca do 3º destino turístico da Bahia, ficando atrás apenas de Porto Seguro e Salvador.

Portanto, caro leitor, seja muito bem-vindo a “Imbassuaba”: divirta-se e aprenda. Você é o convidado dessa viagem fascinante proporcionada pelo jornalismo literário.

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