quarta-feira , 26 julho 2017

Moradores pedem asfalto e são reprimidos com bombas e balas de borracha pela polícia no norte capixaba

protesto_sao_mateus_interna_1_jorge_alexA manhã desta segunda-feira (25) foi violenta para moradores de comunidades quilombolas e de pequenos agricultores dos municípios de Boa Esperança e São Mateus, no norte do Estado. Um protesto pacífico que pedia a conclusão do asfaltamento da rodovia ES-315 foi repreendido bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, numa ação truculenta da Polícia Militar e Polícia Rodoviária Estadual (PRF).

O protesto dos moradores já estava programado desde a última semana e pleiteava a conclusão das obras iniciadas ainda no governo Renato Casagrande (PSB). O projeto prevê o asfaltamento de 65 km da rodovia mas, quando restavam apenas 25 km para a conclusão da obra, já no governo Paulo Hartung (PMDB), o asfaltamento foi interrompido.

A interrupção do asfaltamento afeta diretamente as comunidades quilombolas de São Mateus e de pequenos agricultores de Boa Esperança, que dependem da estrada para escoar a produção e para se locomoverem no dia a dia para São Mateus, que é um município de referência na região norte.

A manifestação já havia sido programada com antecedência, por isso, o governador enviou dois emissários – o secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Roberto, e o líder do governo na Assembleia Legislativa, o deputado Gildevan Fernandes (PMDB), ambos da região norte – para tentar convencer os moradores a não realizarem o protesto na manhã desta segunda-feira.

As comunidades, no entanto, foram irredutíveis em relação ao protesto. A desconfiança dos moradores é que o governador Paulo Hartung, ao mandar os emissários, já alertou as forças de segurança caso houvesse o protesto.

A concentração para a manifestação foi a partir das 5 horas e, tão logo o protesto foi iniciado, em uma marginal da BR-101, na altura do Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes), da Universidade Federal do Estado (Ufes), foi duramente repreendido pela PRF e pela PM.

Os moradores, dentre eles idosos e mulheres, relataram que nunca viram tantos policiais deslocados para a repressão de um protesto na região. Assim que o protesto iniciou, os policiais atiraram bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os moradores.

O relato geral era que a ação da polícia havia sido desproporcional, porque não houve violência por parte dos manifestantes. A prisão sumária de lideres comunitários foi outra evidência que comprovou que a ação da polícia foi premeditada com o intuito de desarticular rapidamente o protesto. Foram detidos os moradores identificados como Jucilene, da comunidade quilombola Nova Vista; Ronaldo; e Carlos Alberto, da comunidade de Morro da Arara.

De acordo com o morador da comunidade de Morro da Arara, José Luiz Mota Silvares, quando a polícia chegou, os moradores pensaram que as forças policiais iriam organizar o protesto. No entanto, não houve conversa e a repressão aconteceu imediatamente, antes de qualquer tentativa de diálogo. A ação violenta da polícia surpreendeu os manifestantes, provocando pânico e correria. “Nos trataram como se fôssemos bandidos”, queixou-se José Luiz.

A moradora Alba Batista Nascimento, da comunidade Dilô Barbosa, acompanha o pensamento de José Luiz e diz que os moradores foram tratados como bandidos. Ela relata que foram deslocadas para reprimir o protesto oito viaturas da PRF, três do Grupo de Apoio Operacional (GAO), além de outras da Polícia Militar.

Alba passou mal por conta dos gases das bombas e a pressão arterial dela subiu. Ela acrescentou que a estrada que os moradores reivindicam é a única do programa Caminhos do Campo no norte do Estado que ainda não foi concluída.

Depois da repressão truculenta das forças policiais, um grupo de moradores foi ao Ministério Público Federal (MPF) em São Mateus denunciar as agressões da polícia. Neste momento, eles aguardam atendimento.

Visita

A desconfiança das lideranças comunitárias é que a urgência em negociar e posteriormente reprimir o protesto dos moradores se deu pela iminência da visita do governador Paulo Hartung à fábrica de ônibus Volare, que fica perto do local do protesto. Os moradores ainda não sabem se a visita ocorrerá, ou se foi cancelada por conta da manifestação.

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