quinta-feira , 25 maio 2017

Sem transporte para ir à escola, mãe carrega filho com paralisia infantil em carrinho de mão

Levar o filho para escola é uma tarefa fácil para muita gente. Mas, para dona de casa Isabel Aparecida dos Santos, esse simples ato se transformou em um drama diário e uma verdadeira luta por acessibilidade. Sobrevivendo com menos de um salário mínimo, na localidade de Vila Fartura, Zona Rural de São Gabriel da Palha, Norte do Estado, a mãe dedica integralmente o tempo para cuidar do único filho: Messias, de 10 anos. O marido de Isabel, José Jeremias de Jesus, trabalha informalmente, sem carteira assinada, para garantir o sustento da família.

Isabel Aparecida dos Santos diariamente leva o filho para a escola em um carrinho de mão
Isabel Aparecida dos Santos diariamente leva o filho para a escola em um carrinho de mão

 

Além dos problemas enfrentados dentro de casa, Isabel encontra outros obstáculos, maiores, da porta para fora. É que o Messias, tem paralisia infantil e depende dela para tudo. Hoje, no quarto ano do ensino fundamental, o menino só consegue ir para escola pela força dos braços da mãe. É em um carrinho de mão, pela estrada de terra, que a mãe leva o filho para estudar.

“Eu uso uma carriola, a estrada não tem calçamento, tem morro alto para subir e a poeira é horrível. Um poeirão danado. Mas, se eu quiser que ele estude tem de ser desse jeito”, disse à Rádio CBN Vitória.
O carrinho de obras, que é usado para conduzir Messias até a Escola Estadual Vera Cruz é fruto de uma doação. Apesar de o ano letivo ter se iniciado em fevereiro, a primeira aula que ele assistiu foi em maio.
“Estou lutando para ver se conseguimos carro para levar ele para escola. Pelo menos até terminar o ano. Desde que começou as aulas ele só foi um mês e pouco, porque eu não aguentei mais de dor. Eu não aguento mais”, desabafou.
Mãe: ‘nem cachorro é tratado assim’
O drama de messias seria facilmente resolvido se a legislação fosse cumprida e um transporte estivesse à disposição dele para fazer esse trajeto de um quilômetro todos os dias. Para garantir educação com dignidade para Messias, a família procurou ajuda da Defensoria Pública, que está movendo ação contra os órgãos públicos responsáveis.
“A gente sofre muito, porque é muita humilhação. Eu fui muito humilhada quando procurei a escola. Do jeito que nós estamos sendo tratados, nem cachorro é tratado”, reclamou a mãe.
Secretário municipal culpa família
O secretário de Educação de São Gabriel da Palha, reconheceu que o transporte não está buscando o aluno em casa desde o início deste ano, devido à precariedade da rua que não tem espaço para ônibus, mas assegurou que a partir de junho, ou seja, no fim do primeiro semestre, um carro voltará a buscá-lo. A responsabilidade do transporte é dividida com o Estado, mas o secretário culpou a família pela ausência da criança dentro de sala de aula.
“A família tem que fazer a parte dela. O que eles deveriam fazer é pegar essa criança e levar para o ponto de ônibus, que fica a 100 metros da casa dela. A partir daí o Estado deveria arranjar um carro e levar esse menino para escola”, disse o titular da pasta.
A posição da prefeitura é contestada por especialistas. A presidente da Comissão Especial dos Direitos das Pessoas com Deficiência da OAB, Maristela Lugon, explica que as políticas públicas voltadas para esses cidadãos estão muito aquém do que prevê a lei.
“Isso é um absurdo. A prefeitura tem por obrigação oferecer o transporte para essa pessoa até mesmo para que ela se desloque para outros lugares, como para lazer, cultura, prática esportiva, isso tudo deveria ser oferecido pelo município”, afirmou à Rádio CBN.
Lei de acessibilidade
No Estatuto da Pessoa com Deficiência está previsto que “é dever do Estado, da família, da comunidade escolar e da sociedade assegurar educação de qualidade à pessoa com deficiência, colocando-a a salvo de toda forma de violência, negligência e discriminação”.
Do portão para dentro, o pequeno Messias não encontra problemas com acessibilidade. Paradoxalmente, a escola onde ele estuda, destoa dos dados relacionados às instituições rurais no Espírito Santo, e tem todas as dependências acessíveis.
No Estado, segundo levantamento do último Censo Escolar, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apenas 8% das unidades localizadas na Zona rural estavam adaptadas até 2014, ou seja, 104 das mais de 1.200 unidades de ensino.
Na próxima reportagem da série “Luta por Acessibilidade” vamos mostrar as barreiras encontradas do lado de dentro dos muros das escolas e o drama de quem precisa encontrar uma instituição que atenda crianças com deficiência.

Fonte: Rádio CBN Vitória

 

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